Papa Francisco: "Que o Jubileu nos permita aprender a perdoar mutuamente"

Na manhã desta quarta-feira o Papa Francisco presidiu à habitual audiência-geral na Praça de São Pedro, no Vaticano. Perante milhares de fiéis o Papa afirmou que tem refletido sobre as conclusões da Assembleia Sinodal  e abordou "o treino do dom e do perdão recíproco" nas famílias como tema geral da sua catequese.

No início da sua catequese o Papa olhou para a oração do Pai Nosso para afirmar que "nenhum amor dura sem perdão mútuo"

Francisco afirmoque que ao olhar-se para o Pai Nosso «perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido» se torna claro que no dia a dia de cada um "não faltam ocasiões para nos comportarmos mal e sermos injustos com os outros. Então, o que temos de fazer é procurar imediatamente curar as feridas que causamos porque, se adiarmos demais, tudo se torna mais difícil", afirmou.

Olhando para a família, e retomando uma ideia antiga bem explicita na espiritualidade de Santo Inácio o Papa reafirmou a importância de "não terminarmos o dia sem se desculpar, sem fazer as pazes entre os casais, com os filhos, os irmãos... e entre nora e sogra!".

Para o Papa "se aprendermos a pedir desculpas rapidamente e a doar o perdão recíproco, as feridas cicatrizam-se, o matrimónio  fortalece-se e a família torna-se uma casa cada vez mais sólida, que resiste aos abalos das nossas pequenas e grandes maldades. Para isso, não é necessário fazer grandes discursos... é suficiente um carinho e tudo acaba... e depois recomeça". O Papa fez questão de afirmar que o importante é "nunca terminar o dia em guerra, entenderam? E quando aprendemos a viver assim nas nossas famílias" teremos a capacidade de o fazer "em qualquer lugar".

O Perdão: muito mais do que belas palavras 

Debruçando-se, em seguida, sobre os termos de "perdão" e "olhar" o Papa afirmou que "muitos pensam e dizem que o dom e o perdão são palavras bonitas, mas impossíveis de pôr em prática. Graças a Deus, não é assim! Na verdade, é recebendo o perdão de Deus que somos capazes de perdoar aos outros. Por isso, Jesus faz-nos repetir estas palavras todos os dias, quando rezamos o Pai Nosso. As famílias cristãs podem ajudar muito a sociedade atual e a própria Igreja. Por isso desejo que, no Jubileu da Misericórdia, as famílias descubram de maneira nova e mais profunda o tesouro do perdão recíproco".   

Neste sentido, o Papa assegurou às famílias cristãs que "se forem capazes de caminhar com decisão no caminho das Bem-aventuranças, aprendendo e ensinando a perdoar-se reciprocamente, aumentará também em toda a família da Igreja a capacidade de testemunhar a força renovadora do perdão de Deus". 

Na conclusão da sua catequese o Papa desejou que "no Jubileu da Misericórdia, as famílias redescubram o tesouro do perdão recíproco" e rezou:

"Rezemos para que as famílias sejam sempre mais capazes de viver e construir caminhos concretos de reconciliação, onde ninguém se sinta abandonado no peso das suas ofensas".