Papa Francisco: “Hoje é tempo de Misericórdia”

Na manhã deste domingo o Papa Francisco presidiu, na Basílica de São Pedro, em Roma, à Eucaristia de encerramento do Sínodo ordinário dos Bispos sobre a Família que teve início no passado dia 4 de outubro.

Na sua homilia o Papa começou por lançar um olhar sobre as leituras do domingo que “apresentam a compaixão de Deus, a sua paternidade, que se revela perfeitamente em Jesus”.

Deus, que é Pai “acompanha o caminho, está perto dos mais fracos. A sua paternidade abre-nos uma via de consolação”.

A Carta aos Hebreus “mostra-nos um Jesus que se reveste de compaixão e misericórdia” tornando-se para nós “um Sumo-sacerdote capaz de olhar com amor e compaixão os seus filhos”. Neste ponto Francisco chamou a atenção para aqueles que pensam caminhar neste caminho de salvação com a “tentação de uma fé pré-programada” que esquecem o sofrimento e tem uma ‘agenda própria’”:

“Uma fé que não sabe radicar-se na vida das pessoas, permanece árida e, em vez de oásis, cria outros desertos”, alertou.

Tomando o Evangelho que “se liga diretamente à primeira leitura” pela “compaixão de Jesus”. Perante o grito de Bartimeu “Jesus toma as penas de Bartimeu e não lhe dá receitas nem indicações mas antes lhe pergunta. Coloca-o em caminho”. Francisco recordou que os discípulos não se aperceberam mas “Jesus para perante a fé de Bartimeu, deixa-se maravilhar”. “Jesus pára mas eles “continuam a caminhar, avançam como se nada fosse”:

“Se Bartimeu é cego, eles são surdos: o seu problema não é problema deles. Esse pode ser o nosso risco: face aos problemas contínuos, o melhor é seguir em frente, sem deixar-se perturbar”, advertiu.

O Papa lembrou a principal responsabilidade da Igreja de hoje é esta mesma: “Quando o grito da humanidade nos chega temos que imitar Jesus, pois as situações de miséria e conflito são para Deus ocasião de misericórdia. Hoje é tempo de misericórdia”.

Neste contexto, a homilia falou numa “tabela de fé pré-programada”, em que cada um já tem a sua agenda própria, “ onde tudo está previsto”.

“Sabemos para onde ir e quanto tempo gastar; todos devem respeitar os nossos ritmos e qualquer inconveniente perturba-nos. Corremos o risco de nos tornarmos como «muitos» do Evangelho que perdem a paciência e repreendem Bartimeu”, alertou.

O Papa olhou para Jesus que “em vez de rejeitar o pobres ou quem o incomoda” procura “incluir, sobretudo quem está relegado para a margem e grita por Ele”.

A esta tentação de ter uma “tabela de fé pré-programada” o Papa respondeu com a necessária “abertura do coração” à vontade de Deus “e aos gritos dos mais fracos” de modo a que os crentes não vivam uma “espiritualidade da miragem” onde se “caminha através dos desertos da humanidade não vendo aquilo que realmente existe, mas o que nós gostaríamos de ver”, afirmou.

 

Dirigindo-se, em seguida, para os padres sinodais o Papa Francisco alegrou-se “pelo caminho feito em conjunto” e pediu que “sem nos deixarmos jamais ofuscar pelo pessimismo e pelo pecado, procuremos e vejamos a glória de Deus que resplandece no homem vivo”, apelou.

Francisco defendeu que, tal como na cura do cego, os cristãos devem ir ter com quem sofre para dizer-lhes “coragem”, “tem confiança, anima-te” e “levanta-te”.

No final da sua homilia o Papa lembrou a missão dos discípulos de Jesus hoje: “pôr o homem em contacto com a Misericórdia compassiva que salva”.