O Profeta, o Apóstolo, o Evangelho

O Profeta, o Apóstolo, o Evangelho

“Era preciso que se cumprisse tudo o que de Mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24,44)

Quando nos referimos à ordem das leituras da Bíblia nas sinagogas - Lei, Profetas e Salmo – constatamos que todo o Antigo Testamento constituí uma profecia global da vinda de Jesus. Vemos também, desde as origens, os cristãos lendo na sua missa dominical as memórias dos Apóstolos e os escritos dos profetas. Já no final do século IV, se passa a ler sucessivamente a Lei, os profetas, os salmos, os Apóstolos e o evangelho. No entanto, a partir do Concílio, reconhece-se apenas uma leitura do Antigo Testamento antes do Salmo e a liturgia romana passa a usar a leitura do Profeta, o Apóstolo e o Evangelho.

Como já se tinha decretado que a leitura dos textos bíblicos deveria ser repartida por vários anos, foi definido um ciclo de três anos onde em cada ano é atribuído um evangelho. O evangelho de São João é lido todos os anos durante a segunda parte da Quaresma e no Tempo Pascal; no Tempo Comum lêem-se sucessivamente em cada domingo, São Mateus (A), São Marcos (B) e São Lucas (C).

Em relação à primeira leitura, no Tempo comum ela é tirada do Antigo Testamento e é escolhida em referência ao evangelho para que, deste modo, a Lei e os profetas conduzam a Cristo. No Tempo Pascal, é retirada dos Atos dos Apóstolos que exprime a vida da jovem Igreja.

O Salmo favorece a meditação e prolonga de forma lírica o que se ouve na leitura do Antigo Testamento. É bom que o Salmo seja valorizado através do cântico, pelo menos no refrão.

A Igreja é apostólica, ou seja, apoia-se no testemunho dos Apóstolos. Como tal, é de grande importância a leitura do Apóstolo, tornando presente em cada domingo Pedro, João e sobretudo, Paulo. Nos três anos do ciclo, lêem-se as cartas de São Paulo no Tempo Comum e respeita-se sempre a ordem dos capítulos, assegurando a continuidade do pensamento do Apóstolo.

Adaptado de Pierre Journel, A Missa Ontem e Hoje, SNL