O mistério do Altar

O mistério do Altar

O que é o altar de Deus senão a alma daqueles que vivem santamente?”

Nas origens, preocupados em demarcar-se do culto judaico e pagão, os cristãos afastaram durante muito tempo do seu vocabulário a palavra altar. Falavam da mesa do Senhor. De facto é essa a natureza do altar cristão.

Em primeiro lugar, ele é a mesa da Refeição do Senhor, a mesa do Cenáculo (é o termo usado para o sítio ou local onde ocorreu a Última Ceia) e de Emaús (refeição que Jesus teve com os dois discípulos após o encontro na estrada).

É aí que se depõe o pão e o vinho que, no sacrifício da Nova Aliança se tornarão corpo e sangue de Cristo.  É desta mesa que se aproximam os que desejam receber o pão da vida e o cálice da salvação. É à volta desta mesa que se estabelece a unidade da Igreja.

“Cristo é o altar” afirma a tradição primitiva.

Quando a mesa do Senhor apareceu majestosa, ornada de ouro e toalhas preciosas, nas igrejas, não tardou a acrescentar-se: “O altar, é Cristo”.

O altar tornou-se assim a imagem permanente de Cristo.

Apesar da mesa do Senhor, inicialmente, ter sido feita de madeira e apesar deste costume se ter conservado por muito tempo em várias regiões, não tardou que essa mesa fosse talhada em pedra, para reforçar o seu valor simbólico.

Não se apresentará o próprio Senhor como a pedra viva rejeitada pelos construtores e tornada pedra angular (Mt 21,42)?

Tal como o Senhor Deus é o rochedo de Israel, assim Cristo é o rochedo da sua Igreja. Eis o que proclama o altar de pedra levantado no meio da assembleia dos cristãos. Por isso se compreende que ele seja objeto de veneração: inclina-mo-nos diante dele, o sacerdote beija-o e incensa-o no princípio da missa.

E ainda sobre o mistério do altar, João Crisóstomo pôde dizer: “A mesa do Senhor está colocada, como nascente, no meio da Igreja, para que, de todos os lados, a multidão dos fiéis se aproxime da fonte e mate a sede nas ondas que nos salvam”.

Adaptado de Pierre Journel, A Missa Ontem e Hoje, SNL